Projeto transforma vagas de carro em áreas de convivência em SP

parklet

 

Projeto já existe em outras cidades ao redor do mundo.

 

A cidade de São Paulo vai testar na próxima semana uma intervenção urbana que está virando moda nas maiores metrópoles mundiais.

São os “parklets”, espaços de convivência semelhantes a praças que são criados sobre vagas de carros, na rua.

Serão usadas duas vagas de Zona Azul nos bairros Itaim Bibi (r. Amauri, 255) e Higienópolis (r. Maria Antônia, 294).

As minipraças serão temporárias –vão funcionar entre os próximos dias 15 e 18.

“Parklet é o conceito americano, precisa ficar explicando. Então vamos chamar de zona verde, como contraponto à Zona Azul. Onde era para parar o carro, as pessoas vão parar para convivência, diz Lincoln Paiva, presidente do Instituto Mobilidade Verde.

Os espaços terão bancos, local para estacionamento de bicicletas, paisagismo e guarda-corpo, para garantir a segurança. A iluminação, em LED, virá de fonte solar, e todos os materiais usados serão certificados.

 

Mini Praças

Segundo Paiva, o objetivo é provocar um debate sobre o uso do espaço público.

“Vamos tirar dois lugares de carros, e isso gera discussão. Enquanto o pedestre quer mais espaço, o motorista precisa de transporte público de qualidade para deixar o carro em casa. Enquanto não houver, ele precisa de local para estacionar.”

A ideia nasceu em 2010, quando Paiva conheceu iniciativas pioneiras em São Francisco, nos EUA, e quis importá-las para São Paulo.

Mas o projeto só ganhou corpo no ano passado, após ser selada uma parceria com a Design Weekend, evento que chega à sua segunda edição. Os “parklets” serão uma das mais de 200 atrações do evento.

VAGA VIVA

As intervenções em vagas de estacionamento começaram com as “vagas vivas”, em que os espaços são ocupados com tabepets, vasos de plantas e cadeiras de praia por um dia.

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A diferença dos “parklets” é que eles têm projeto mais sofisticado, duração maior, e são aprovados pelo poder público.

Em São Paulo, os criadores dizem que foi necessário um périplo de seis meses por diversos órgãos municipais, como a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) e a comissão que fiscaliza a Lei Cidade Limpa, até conseguirem o aval definitivo.

Os dois espaços foram projetados de forma colaborativa entre o coletivo Design OK, grupo Gentilezas Urbanas e os escritórios H2C e Zoom. Os custos foram bancados pelo Design Weekend e patrocinadores.

A iniciativa não nasceu com os protestos de junho, que pediam a redução das tarifas e mais qualidade no transporte. Mas Lauro Andrade, idealizador do evento, diz que a discussão cresceu com a onda de manifestações.

Em outubro haverá uma segunda etapa do projeto, com zonas verdes espalhadas por 20 pontos da cidade por um mês, como parte da Bienal de Arquitetura.

“Vamos fazer pesquisas para avaliar como a cidade responde a essas intervenções e entregar para a prefeitura”. Segundo Paiva, o objetivo é que, se a resposta for positiva, a criação dos espaços passe a ser uma política da própria administração.

Ele defende, por exemplo, a criação de “parklets” nos espaços de cruzamentos pintados de azul pela CET, originalmente destinados a proteger os pedestres.

Thiago Guimarães, mestre em planejamento urbano e pesquisador do Instituto para o Planejamento de Transportes e Logística de Hamburgo (Alemanha), diz que “é necessário que o poder público tenha critérios objetivos e transparentes para avaliar o projeto piloto”.

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COMÉRCIO

Em São Francisco, a prefeitura criou regras para a aprovação das minipraças. Hoje são 150 espaços temporários, mas a ideia é que daqui a três anos eles passaem a ser criados, de forma definitiva, pela prefeitura. Na cidade de Chicago, um “parklet” permanente já foi criado pela prefeitura.

Além de fomentar a discussão sobre os espaços urbanos, há benefícios econômicos. Em Nova York, uma pesquisa apontou que o movimento do comércio em torno das intervenções cresceu 14%. “As pessoas consomem mais quando tem um lugar agradável para sentar, com segurança”, afirma Paiva.

Mas ele defende que, mesmo que os “parklets” sejam criados e mantidos por comerciantes, deve-se sempre manter o caráter público dos espaços.

“Caso os parklets de São Paulo passem por esse período de teste, é necessário avaliar em que grau a medida deverá ser implementada na cidade e o impacto sobre a oferta de vagas de estacionamento”, diz Guimarães.

Segundo a CET, São Paulo tem hoje mais de 36 mil vagas de Zona Azul.

Fonte: Folha

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