Porque tantos revestimentos imitam a madeira?

revestimento imita madeira

Se você passou por lojas de materiais de construção nos últimos meses deve ter percebido que a novidade no setor de revestimentos são as peças de porcelanato, vinílico, cerâmica, adesivos e até alumínio com acabamentos que imitam a textura e o visual da madeira.

Proclamados como mais vantajosos do que a madeira pela facilidade de instalação, baixa manutenção e facilidade de limpeza, esses materiais são as novas alternativas para revestir as paredes, o piso, a superfície dos móveis e também para a fabricação de portões, forros, portas e janelas.

APARTAMENTOS DE 2 DORMITÓRIOS IDEAIS PARA A FAMÍLIA, NA ZONA OESTE DE SÃO PAULO. SAIBA MAIS AQUI

Essa tendência de imitar as características de um material, no entanto, não é novidade na arquitetura e nem representa que a madeira vai deixar de ser usada. Sílvio Sant’ Anna, professor de arquitetura da universidade Mackenzie, afirma que esse recurso foi muito usado em outros momentos históricos da arquitetura, como durante o barroco, no século 16, e o pós-modernismo, após os anos 60 do século 20. O professor explica que no passado as cerâmicas, por exemplo, já haviam sido usadas para imitar a textura e aparência do mármore.

Aconchego

Na opinião da arquiteta Patrícia Coelho, do Ateliê Revestimentos, os revestimentos que imitam madeira demonstram que ela é a principal tendência de decoração do momento. Assim, a busca por parte dos fabricantes de outros materiais, como o porcelanato e as cerâmicas, em reproduzir suas características é uma forma de não ficar de fora da tendência.

“A madeira não está deixando ou vai deixar de ser usada, pelo contrário, ela é a grande tendência da decoração atual que prioriza compor texturas para levar aconchego aos ambientes. E quando se procura texturas e a sensação de aconchego, inevitavelmente se é levado para o uso da madeira”, comenta a arquiteta. Patrícia Coelho cita que em outros períodos, quando a intenção era criar espaços mais uniformes e com a predominância do branco, a madeira foi deixada de lado e o porcelanato foi a grande invenção.

Sílvio Sant’Anna também acredita que a madeira é o material que melhor traduz a tendência atual da arquitetura. “Eu vejo um retorno ao passado e uma busca por resgatar um material que permita aconchego e especialmente que se mostre mais próximo do ser humano. É uma tentativa de se produzir espaços menos frios e mais humanizados. Assim, a madeira é usada não como acontecia há séculos atrás, mas acompanhando o desenvolvimento da tecnologia”, destaca o professor.

Curta a ZetaPlus no Facebook

Características

Desta forma, a aplicação da tecnologia possibilitou a criação de produtos sem os problemas tradicionais da madeira, como a necessidade de manutenção, o envelhecimento natural e a vulnerabilidade às intemperes, porém, com as características que são consideradas desejáveis, como a variedade de texturas e tons.

Nem todos consideram, no entanto, que a tecnologia foi bem sucedida nessa reprodução. Ao contrário de Sílvio Sant’Anna e Patrícia Coelho, que avaliam que materiais como porcelanato, cerâmica e vinílicos têm conseguido imitar a aparência e textura da madeira de forma satisfatória e distante da artificialidade, a arquiteta Martha Nader, da Ecohabitar Arquitetura e Construção, vê os materiais vantajosos mais pela praticidade do que pela estética.

“Eles cumprem outro papel, digamos que têm uma característica diferente. Do ponto de vista estético, com certeza não suprem a madeira, mas para decks e pisos externos, por exemplo, eu diria que eles têm uma aplicação superior. O uso, nesses casos, é mais indicado, mas em termos estéticos eu diria que não”, argumenta Martha Nader.

Para Sílvio Sant’ Anna, o surgimento dos materiais que reproduzem a aparência da madeira contribui para o uso mais consciente deste recurso natural.   “Isso vai fazer com que a madeira, por meio da reprodução da sua aparência e texturas, continue presente na nossa arquitetura sem que exista a devastação de matas”, destaca o professor.

Tecnologia

Ele ressalta que a madeira de forma geral não está sendo deixada de lado pela arquitetura, mas aqueles tipos conhecidos como madeiras nobres, a exemplo do mogno e do jacarandá, sim. A arquiteta Martha Nader acrescenta que essa substituição é positiva e deve ser feita não apenas por materiais tecnológicos, mas também pelas madeiras de manejo florestal, como eucalipto. “O eucalipto tratado em autoclave passa a ter características muito superiores as de qualquer madeira nobre”, argumenta a arquiteta.

Sílvio e Martha afirmam que ainda existem outros casos durante as etapas da construção em que é preciso usar a tecnologia para garantir a substituição da madeira, como na fabricação de formas para pilares e vigas de concreto nos canteiros de obras.

“O que esta se fazendo hoje é a forma permanente, capaz de ser reaproveitada. Você usa uma madeira de melhor qualidade e, ao invés de jogar fora aquela forma de obra a obra, que é a prática em 90% das construções, usa várias vezes porque ela recebe impermeabilização e se torna uma forma mais industrializada”, explica Martha Nader.

Fonte: BBel

 

Anúncios

Deixe uma resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s