Parque Ibirapuera 60 anos – Viveiro Manequinho Lopes

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História do Viveiro Manequinho Lopes

Trechos retirado do Livreto Viveiros da Prefeitura, disponível ao lado para download.

Download do Livreto dos Viveiros Manequinho Lopes, Harry Blossfeld e Arthur Etzel

Textos de Raquel Carvalho e  Renata Sales

“Para começar nossa história, vamos voltar ao ano de 1798. A cidade de São Paulo era muito diferente da que conhecemos hoje. As pessoas nadavam nos rios, não existiam estes arranhacéus imensos que cortam o céu da metrópole. Naquele ano foi inaugurado o primeiro Jardim Público da cidade, onde hoje é o Parque da Luz. O jardim passou por vários melhoramentos no decorrer dos anos e em 1899 ganhou um administrador, o senhor Antonio Etzel. Naquele ano também a cidade teve como prefeito Antônio Prado, homem muito viajado pela Europa, que conheceu belos jardins e áreas verdes que existiam no Velho Continente e assim, como prefeito, começou a arborizar a cidade. Ele introduziu na cidade o chamado plano americano de ajardinamento, com amplos gramados e ruas direcionais para facilitar o lazer e o trânsito de pedestres. Naquela época, pisar na grama era proibido, e quem fosse flagrado neste ato ilegal era multado. Para dar mais verde à nossa cidade era necessário produzir mudas de árvores e arbustos para plantio em praças e jardins. Existiam dois viveiros para produção de mudas: um pequeno, no Jardim Público (Luz) e um viveiro maior, na região da Água Branca. Em 1916, durante o governo de Washington Luis, a prefeitura comprou um grande terreno, situado na Vila Clementino, local onde seria futuramente implantado o Parque Ibirapuera. Naquela área pantanosa havia aldeias indígenas no início da colonização e, após o povoamento, o local passou a ser pastagem para as boiadas que vinham do interior, destinadas ao Matadouro Municipal (atual Cinemateca).

Apenas em 1927 o prefeito Pires do Rio apontou a necessidade de incrementar o número de áreas verdes na cidade, “úteis à higiene da população urbana”. A cidade foi crescendo e era preciso ter um viveiro maior para arborizá-la. Assim, o viveiro que estava na Água Branca foi transferido para o terreno da Vila Clementino, em 1928. A implantação do viveiro no Ibirapuera proporcionou a formação de muitas árvores para embelezar a cidade, além de arbustos, azaléias, vasos de flores para canteiros e estufa (a antiga estufa quente do viveiro do Jardim Público da Luz foi transferida para o novo viveiro).

Nesse momento de nossa história entra em cena um personagem importante: o senhor Manoel Lopes de Oliveira Filho, nomeado diretor da recém-criada Divisão de Matas, Parques e Jardins, na administração do prefeito Fábio da Silva Prado. Grande conhecedor da área do Ibirapuera, teve a ideia de implantar o viveiro, evitando que o terreno fosse invadido e que a prefeitura perdesse o local, contando com a ajuda de Arthur Etzel chefe da Subdivisão de Parques e Jardins e do chefe viveirista Erwin Burckhardt. O terreno era muito pantanoso e para resolver este problema o senhor Manoel, que tinha o apelido de Manequinho Lopes, plantou muitos eucaliptos australianos no local para a eliminação do excesso de umidade do solo. Depois deu início ao plantio de espécies destinadas ao embelezamento das ruas, parques e jardins: árvores nativas e árvores exóticas como pau-ferro, ipê, pau-brasil, pau-jacaré, tipuana, flamboyant, sibipiruna, bem como o cultivo de arbustos, trepadeiras e flores.

“Ele fazia tudo com o coração, tanto que ia trabalhar até aos domingos, sempre de guarda-chuva, que usava para cutucar a terra dos jardins da cidade para ver se estava bem tratada.” (Francisca Lopes de Oliveira Martines em entrevista ao jornal Pedaço da Vila – março/03)

Em 1933, os responsáveis pelo projeto do futuro Parque Ibirapuera pediram ao prefeito Fábio Prado a retirada do viveiro. Manequinho Lopes ficou indignado e pediu ao prefeito para que fosse criado um viveiro definitivo para a cidade. Felizmente a ideia de remoção do viveiro não foi adiante e Manequinho pôde continuar seu importante trabalho.

Segundo reportagem do jornal O Estado de São Paulo, de 1936, o Viveiro Manequinho Lopes era considerado o maior e mais variado da América do Sul. Neste mesmo ano, o prefeito resolveu incentivar o plantio de árvores na cidade e neste período as mudas eram fornecidas gratuitamente às pessoas interessadas. O amor ao verde era tanto que Manequinho e sua equipe chegavam a fazer jardins gratuitamente em casas e prédios.

Em 1938, Manequinho ficou doente e faleceu. Para homenageá-lo, o prefeito, pelo ato nº. 1372, de 14 de março de 1938, deu o nome de Viveiro Manequinho Lopes para o viveiro municipal. Arthur Etzel, filho de Antonio Etzel (administrador do Jardim Público-Luz), se tornou o novo chefe do Viveiro e trabalhou no Ibirapuera em diferentes funções por mais de 50 anos.

Durante as décadas de 1940, 50 e 60, o Viveiro Manequinho Lopes tinha como função abastecer os jardins da cidade, promover a manutenção e o plantio de novas árvores. Nos anos 60 a cidade crescia muito e foi preciso criar outro viveiro, que foi implantado em Carapicuíba – e mais tarde, transferido para Cotia (Viveiro Harry Blossfeld) – além de treinar novas equipes para o trabalho com o verde nas Administrações Regionais. Em 1987 foi implantado o Viveiro Arthur Etzel, localizado no Parque do Carmo, bairro de Itaquera, onde são produzidos arbustos e herbáceas. Com a crescente preocupação com o meio ambiente e com a necessidade de aumentar as áreas verdes na cidade de São Paulo, em 18 de outubro de 1993 foi criada a Secretaria Municipal do Verde e Meio Ambiente.

O Viveiro Manequinho Lopes foi restaurado em 1993. Burle Marx fez um novo projeto para o viveiro valorizando o verde, inclusive as belas árvores. O viveiro, revitalizado, foi entregue à população no dia 24 de março de 1994

Contato Viveiro Manequinho Lopes, DEPAVE 2:
Acesso: Portão 7A
Quando:  segunda a sexta-feira, das 7h às 17h
Telefone: 11 3887–6761

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